Rock in Rio aposta no K-pop e encontra uma nova geração na Cidade do Rock
Primeiro dia inteiramente dedicado ao gênero reuniu fãs de diferentes idades, lotou o Palco Mundo e mostrou como o K-pop pode aproximar uma nova geração da experiência de festival

Foto: NEXZ / MORIVA
O Rock in Rio decidiu apostar em uma coisa que ainda não tinha feito em mais de quatro décadas de história: dedicar um dia inteiro ao K-pop. A resposta veio logo nas primeiras horas desta sexta-feira (11), quando a Cidade do Rock começou a ser tomada por lightsticks, looks inspirados nos ídolos e uma quantidade enorme de fãs que chegaram cedo para garantir um lugar perto do Palco Mundo.
Mais do que colocar artistas sul-coreanos no line-up, o festival abriu espaço para um público que tem uma relação diferente com a música ao vivo. Crianças, adolescentes, jovens adultos e muitos pais acompanharam os shows de NEXZ, Hwasa e Stray Kids, transformando o espaço em uma espécie de ponto de encontro de uma geração que cresceu consumindo K-pop pela internet e que agora teve a oportunidade de viver essa experiência dentro de um dos maiores festivais do país.
O NEXZ foi responsável por abrir o Palco Mundo e já encontrou uma plateia bastante mobilizada. Mesmo sendo um grupo relativamente novo e tendo um repertório ainda limitado para preencher um grande festival, conseguiu manter os fãs envolvidos, principalmente pela interação em português e pela proximidade com quem estava na frente do palco.
Rock in Rio aposta no K-pop e encontra uma nova geração na Cidade do Rock
Depois veio Hwasa, que mostrou que o K-pop também pode ter diferentes caminhos. A cantora não apostou apenas em coreografias e perfeição visual. Com banda ao vivo, presença de palco e uma postura mais provocadora, ocupou o Palco Mundo com personalidade. A concentração de fãs foi tão grande que a organização precisou interromper o início da apresentação para pedir que o público recuasse e liberasse espaço na frente.
A própria dinâmica do festival também mudou. Quem chegava à Cidade do Rock naquele dia encontrava um público muito mais jovem e uma quantidade de símbolos que não costumam aparecer com tanta força nas outras noites. Lightsticks substituíam celulares levantados em alguns momentos, fãs usavam roupas e acessórios inspirados nos grupos e era comum encontrar pessoas que haviam planejado a experiência muito antes de chegar ao festival.
Mas o Rock in Rio não virou uma bolha completamente isolada de outros estilos. No Palco Sunset, o Jamiroquai fazia um caminho praticamente oposto, revisitando sucessos dos anos 1990 para um público que cresceu com a banda. No Espaço Favela, MC Carol, Puterrier e NandaTsunami colocaram funk e rap diante de uma plateia que também estava descobrindo novas sonoridades.
No Palco Mundo, até Alok encontrou uma maneira de conversar com aquele público. O DJ incorporou músicas de artistas como Blackpink e Katseye ao set e ainda contou com uma parceria inédita com o Twice, enquanto seu espetáculo apostava em drones, luzes e grandes efeitos visuais.

Foto: Adriana Vieira / Rock on Board
E, claro, o grande teste veio com o Stray Kids. Quando o grupo entrou no Palco Mundo, já não havia muito espaço para dúvida sobre o tamanho da aposta. A plateia estava completamente tomada, com fãs cantando, dançando e reagindo a cada integrante. A banda ainda levou músicos ao vivo e adaptou alguns arranjos para o festival, criando um show que, em determinados momentos, se aproximou mais de uma apresentação de rock do que da estrutura tradicionalmente associada ao K-pop.
O mais importante talvez esteja justamente fora do palco. O Rock in Rio conseguiu apresentar a experiência de um grande festival para uma parcela do público que ainda não necessariamente tinha esse hábito. Para muitos daqueles adolescentes, aquela pode ter sido a primeira vez diante de uma multidão daquele tamanho, acompanhando artistas que até pouco tempo atrás pareciam distantes demais para fazer parte da programação de um festival brasileiro.
A aposta ainda deixa uma pergunta para as próximas edições: quanto desse novo público vai voltar para ver outros artistas? É cedo para saber. Mas o primeiro dia dedicado ao K-pop mostrou que existe uma geração disposta a ocupar a Cidade do Rock, viajar por seus artistas favoritos e viver o festival de uma maneira muito própria.
No fim, talvez essa tenha sido a maior novidade do dia. O Rock in Rio não apenas colocou o K-pop no palco. Deu espaço para um público novo descobrir o que significa estar em um festival. E, para um evento que já atravessou quatro décadas justamente por saber mudar junto com a música, essa talvez seja uma das apostas mais importantes desta edição.












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