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Lola Young encara a chuva e mostra que é muito mais que “Messy” no Rock in Rio

Foto do escritor: Mayara Abreu
Mayara Abreu
há 6 dias
3 min de leitura

Em sua estreia no Brasil, cantora britânica enfrentou chuva e programação disputada, mas mostrou no Palco Mundo que vai muito além do hit “Messy”


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Foto: MORIVA


Lola Young chegou ao Rock in Rio com uma tarefa complicada. Era sua primeira vez no Brasil, boa parte do público a conhecia principalmente por “Messy” e, para completar, a chuva não deu trégua durante sua apresentação no Palco Mundo. Ainda assim, a cantora britânica conseguiu mostrar que existe muito mais por trás do hit que tomou conta das redes sociais.


Logo no começo, a imagem já era diferente daquela estética propositalmente desleixada que costuma acompanhar Lola. De vestido preto, unhas enormes e acompanhada por uma banda completa, ela abriu o show com “Wish You Were Dead”. Mas a mudança visual não significava uma mudança de personalidade. Bastaram algumas músicas para aparecer novamente a combinação de vulnerabilidade, humor e aquela energia meio caótica que faz parte de sua identidade.


O repertório passeou por diferentes momentos de sua carreira e deu espaço para músicas como “Big Brown Eyes”, mostrando uma artista que tem muito mais a oferecer do que o sucesso viral. Essa talvez tenha sido a principal missão de Lola naquela noite: convencer quem chegou ao show por causa de “Messy” a ficar também pelas outras músicas.


Lola Young mostra no Rock in Rio que é muito mais do que “Messy”


E ela parecia saber que estava diante de muita gente que ainda estava conhecendo seu trabalho. Lola falou diversas vezes sobre a felicidade de finalmente estar no Brasil e se mostrou surpresa com a recepção. Em determinado momento, chegou a dizer que estava muito feliz por ouvir os gritos dos brasileiros e que eles haviam provado ser os melhores do mundo.


Só que havia uma dificuldade que não dependia dela. A chuva continuava caindo e o último dia do festival tinha uma programação cheia de opções acontecendo ao mesmo tempo. Dennis começava seu show no Espaço Favela no mesmo horário, enquanto Marina Sena apareceria pouco depois no Sunset. Para uma artista fazendo sua estreia no país, disputar a atenção de um público de festival nessas condições não era exatamente o cenário mais fácil.


Mesmo assim, Lola não pareceu incomodada com quem estava ali para descobrir seu trabalho. Pelo contrário. Ela agradeceu o fato de o público continuar cantando e aproveitando o show mesmo sem conhecer todas as músicas. E foi justamente quando a apresentação ficou mais íntima que ela encontrou alguns de seus melhores momentos.


Em “Spiders”, Lola se emocionou e chorou no palco. Por alguns minutos, toda aquela estrutura gigantesca do Palco Mundo pareceu menos importante. Não havia necessidade de disputar atenção ou tentar criar um grande momento de festival. Bastava a voz dela e a música. Foi uma das cenas que mais ajudaram a entender por que reduzir Lola Young a “Messy” seria injusto.


A voz rouca, as mudanças de intensidade e a maneira quase confessional de cantar fazem com que suas músicas funcionem justamente quando existe espaço para prestar atenção nelas. E aí aparece uma das contradições da apresentação: Lola tinha repertório e presença para estar no Palco Mundo, mas talvez algumas de suas melhores características funcionassem ainda melhor em um palco menor, onde a distância entre artista e público não fosse tão grande.


Ainda assim, sua estreia brasileira cumpriu um papel importante. Em meio à chuva e à programação disputada, Lola Young teve a oportunidade de apresentar uma versão mais completa de si mesma para quem conhecia apenas o hit. E, se “Messy” foi o motivo que levou muita gente até ali, “Spiders” e o restante do repertório mostraram por que vale a pena ficar para conhecer o que existe depois dela.


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