Péricles mostra toda a força da soul music e entrega um dos shows mais surpreendentes do Rock in Rio
Cantor deixou o samba e o pagode de lado para mergulhar no universo da Motown em uma apresentação marcada por grandes clássicos da soul music

Foto: Adriana Vieira / Rock on Board
Quem conhece Péricles pelo samba e pelo pagode talvez não esperasse vê-lo no Rock in Rio cantando Stevie Wonder, Marvin Gaye, The Temptations e Jackson 5. Mas bastaram os primeiros minutos de seu show no Palco Sunset, nesta segunda-feira (7), para ficar claro que a escolha fazia muito sentido.
A apresentação foi dedicada à Motown, referência fundamental da soul music e da música negra americana, e Péricles não tentou transformar aquelas músicas em pagode. Pelo contrário. Ele entrou de cabeça no universo da soul music, acompanhado por uma banda especialmente preparada para o repertório, com metais, backing vocals e uma sonoridade que deixava espaço para sua voz.
E é justamente aí que o show ganhou força. Péricles tem uma voz que funciona em diferentes lugares, mas vê-lo interpretando músicas como "Superstition", "My Girl", "End of the Road" e "Ain't No Mountain High Enough" mostrou uma faceta que talvez parte do público do festival ainda não tivesse visto. O cantor parecia completamente à vontade naquele repertório, cantando com a segurança de quem conhece profundamente a música que está interpretando.
Péricles encontra a soul music no Rock in Rio e mostra nova faceta no Sunset

Foto: Adriana Vieira / Rock on Board
A chuva também fez parte do cenário. Mesmo com o tempo fechado, o público ocupou o Sunset e, conforme o show avançava, a apresentação foi ganhando cada vez mais cara de celebração. Teve gente dançando, cantando junto e acompanhando Péricles descobrir, junto com a plateia, uma nova forma de apresentar músicas que atravessam gerações.
O mais interessante foi justamente essa troca. Péricles levou sua experiência de décadas no samba para um repertório que nasceu em outro país e em outro contexto, mas que também fala sobre identidade, negritude, amor e música feita para o corpo. No palco, essas referências se encontraram de forma bastante natural.
No fim, a sensação era de que o Rock in Rio acertou ao colocar Péricles nesse lugar.
Em uma edição que vem apostando bastante em encontros e misturas, o cantor conseguiu fazer algo que nem sempre é simples: sair completamente da zona de conforto sem deixar de ser ele mesmo.












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