Laufey leva a delicadeza da bossa nova para o Rock in Rio e conquista o Sunset
Na estreia no festival, cantora islandesa lotou o Palco Sunset e mostrou como a bossa nova e o jazz podem encontrar seu espaço no Rock in Rio

Foto: Adriana Vieira / Rock on Board
Laufey chegou ao Rock in Rio cercada de expectativa e talvez também de uma certa curiosidade. Afinal, não é todo dia que uma cantora islandesa, conhecida por misturar jazz, pop e música clássica, aparece no Sunset de um dos maiores festivais do mundo para cantar bossa nova justamente no Brasil. No fim, a combinação funcionou melhor do que poderia parecer no papel.
Em sua estreia no festival, a cantora encerrou a programação do Palco Sunset nesta segunda-feira (7) e encontrou um público enorme esperando para vê-la. O espaço ficou lotado, com muita gente que já conhecia suas músicas e outras pessoas que chegaram provavelmente pela curiosidade de descobrir o fenômeno que tem conquistado principalmente a Geração Z.
Laufey fez questão de mostrar o quanto a música brasileira está presente em sua formação. A bossa nova apareceu no repertório sem parecer apenas uma tentativa de agradar ao público brasileiro. E talvez esse seja um dos pontos mais interessantes da apresentação: ela não tratou o gênero como uma referência exótica, mas como uma música que realmente faz parte do seu universo artístico.
Laufey encontra o Brasil entre a bossa nova e o jazz no Rock in Rio
Antes do show, a cantora já havia falado sobre o cuidado que teve ao se aproximar da bossa nova e sobre a preocupação de não fazer isso de maneira superficial. No palco, essa relação ficou ainda mais evidente. Em vez de simplesmente colocar uma música brasileira no meio do set, Laufey construiu uma apresentação em que suas próprias influências conversaram com essa tradição.
Também teve espaço para a troca com o público. Laufey cumprimentou fãs na grade, recebeu uma bandeira com seu rosto e mostrou estar bastante emocionada com a recepção. A própria cantora havia admitido estar surpresa com a quantidade de pessoas que conheciam seu trabalho tão longe de casa.

Foto: Adriana Vieira / Rock on Board
E foi justamente essa mistura que tornou o show interessante. Em um festival que costuma ser associado a guitarras, grandes produções e apresentações explosivas, Laufey apostou no caminho contrário. Voz, arranjos delicados, jazz e bossa nova deram ao Sunset um clima diferente, quase como se por alguns momentos o Rock in Rio tivesse diminuído o volume para prestar atenção em cada detalhe.
Depois de Péricles, que também levou a música negra americana para o festival ao apresentar um repertório dedicado à Motown, Laufey reforçou uma das características mais interessantes deste dia do Rock in Rio que é a possibilidade de colocar artistas e referências de diferentes gerações e lugares dividindo o mesmo espaço. E, para uma artista que chegou ao Brasil justamente com o desejo de ser ouvida por um público ainda maior, o Sunset certamente não passou despercebido.












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