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Novo Palco Mundo é um dos grandes acertos do Rock in Rio, mas impressiona ainda mais quando bem usado

Foto do escritor: Matheus Lima
Matheus Lima
há 3 horas
3 min de leitura

Maior mudança na estrutura do palco principal em mais de 40 anos transforma a tela em parte do espetáculo, mas experiência depende de como cada artista aproveita o recurso


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Foto: MORIVA


Por Matheus Lima, direto da Cidade do Rock - O Palco Mundo do Rock in Rio nunca esteve tão diferente. Em mais de quatro décadas de festival, o palco principal passou por diferentes transformações, mas nenhuma tão radical quanto a desta edição. Para 2026, a tradicional estrutura cenográfica deu lugar a uma enorme "tela viva", revestida por cerca de 2.400 m² de LED, com 107 metros de largura e 31,5 metros de altura.


A mudança, por si só, já impressiona. Mas o mais interessante está no que esse novo palco pode fazer quando é realmente incorporado ao espetáculo.


Até a última edição, o Palco Mundo era formado por uma cenografia modular em chapas metálicas, iluminação cênica com spots embutidos e três telões: dois nas laterais e um na parte superior. Agora, toda a estrutura frontal se transforma em uma superfície visual capaz de acompanhar diferentes momentos de uma apresentação.


É como entregar ao artista uma tela gigantesca para construir, em tempo real, a identidade visual do seu show. E aí está, para mim, o grande acerto do Rock in Rio.


Quando o palco deixa de ser apenas um telão


O LED permite uma liberdade visual que o antigo formato simplesmente não oferecia na mesma escala.


Cores, imagens, animações, gráficos, vídeos e diferentes cenários podem mudar completamente a percepção de quem está na plateia. A música ganha uma dimensão visual muito maior e o próprio palco pode se transformar de acordo com a proposta de cada artista.


Mas existe uma condição: é preciso saber usar.


Nos primeiros dias do festival, entre 4 e 7 de setembro, já foi possível perceber que nem todos os shows exploraram o recurso da mesma maneira.


Em algumas apresentações, a sensação é de que o novo Palco Mundo funciona mais como uma gigantesca transmissão do que como parte da cenografia.


E essa diferença fica ainda mais evidente justamente porque o palco oferece muito mais possibilidades. Quando uma estrutura de 2.400 m² de LED é colocada à disposição de um artista, simplesmente adaptar a imagem do cantor para uma tela gigantesca parece pouco.


Bring Me The Horizon mostrou o caminho


Entre os shows que mais souberam aproveitar essa possibilidade até agora, o Bring Me The Horizon é um dos melhores exemplos.


A apresentação conseguiu transformar o LED em parte da atmosfera do show, usando a dimensão da estrutura para ampliar a identidade visual da banda e criar momentos que funcionavam em conjunto com a música e com a performance de Oli Sykes.


Gilberto Gil, Barão Vermelho, Elton John e Foo Fighters também estão entre os shows que, na nossa percepção, conseguiram aproveitar muito bem a estrutura e entender que o novo Palco Mundo pode ser mais do que um suporte para transmissão.


O próprio Rock in Rio também foi descobrindo o palco


Curiosamente, essa evolução visual também pôde ser percebida nos momentos em que não havia shows.


As projeções utilizadas pelo próprio festival foram ganhando força ao longo dos dias, com elementos em 3D e outras criações que exploram melhor a dimensão da estrutura.


Um acerto que coloca a responsabilidade também nas mãos dos artistas


A inspiração não é exatamente inédita. Grandes festivais internacionais já exploram há algum tempo estruturas de LED como parte central de seus espetáculos, criando cenários que mudam completamente de acordo com cada apresentação. O Coachella é um dos exemplos mais conhecidos dessa tendência.


O Rock in Rio agora entra de vez nessa conversa. E o saldo até aqui é bastante positivo.


O novo Palco Mundo é provavelmente uma das mudanças mais interessantes desta edição e tem potencial para transformar completamente a experiência visual de um show. Mas ele também cria uma nova responsabilidade.


Não basta ter uma tela gigantesca. É preciso pensar o espetáculo para ela.


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