Jamiroquai atravessa gerações e mostra que ainda tem espaço no Rock in Rio
Banda britânica revisitou clássicos da carreira no Palco Sunset e mostrou que sua mistura de funk, soul, disco e acid jazz continua conectando diferentes gerações

Foto: Adriana Vieira / Rock on Board
Em uma noite em que o Rock in Rio estava claramente dominado por uma nova geração de fãs, o Jamiroquai apareceu no Palco Sunset como um lembrete de que algumas músicas simplesmente não envelhecem. Enquanto boa parte do público mais jovem guardava lugar para o Stray Kids no Palco Mundo, a banda britânica reuniu no Sunset quem já conhecia aqueles acordes há décadas.
Liderado por Jay Kay, o grupo trouxe para o festival a mistura de funk, soul, disco, R&B e acid jazz que marcou sua carreira desde os anos 1990. E não precisou reinventar o repertório para provar que ainda funciona. Os grandes sucessos continuaram sendo o principal combustível da apresentação.
Jay Kay, aos 56 anos, apareceu com a energia que se espera de um frontman que passou boa parte da carreira transformando seus chapéus e figurinos em parte da própria identidade. As trocas de visual aconteceram ao longo do show, mas era a banda que sustentava a maior parte da experiência, com músicos muito bem entrosados e arranjos que deixavam as músicas respirarem.
Jamiroquai atravessa gerações e mostra que ainda tem espaço no Rock in Rio
O repertório passeou por diferentes fases da trajetória do Jamiroquai, revisitando trabalhos como Emergency on Planet Earth, The Return of the Space Cowboy e Travelling Without Moving. É curioso perceber como essas músicas, que chegaram ao público brasileiro principalmente pela MTV nos anos 1990, continuam reconhecíveis para quem cresceu naquela época.
De um lado, adolescentes chegavam cedo para acompanhar seus grupos favoritos de K-pop. Do outro, adultos que provavelmente também foram adolescentes quando “Virtual Insanity” apareceu pela primeira vez na televisão estavam ali cantando e dançando as mesmas músicas anos depois.
Quando “Virtual Insanity” apareceu no final da apresentação, ficou ainda mais evidente o tamanho da memória afetiva construída pela banda. O clipe que marcou uma geração continua sendo imediatamente reconhecido, e a música ainda tem força suficiente para fazer um público inteiro reagir aos primeiros acordes.
Em uma programação pensada para apresentar o festival a uma nova geração através do K-pop, a banda não precisou disputar atenção com Stray Kids ou tentar acompanhar a linguagem de quem estava no palco Mundo. Apenas fez seu show, revisitou seus clássicos e deixou claro que existe público para uma música que atravessa décadas.
No fim, o Jamiroquai funcionou quase como um encontro entre pais e filhos dentro da Cidade do Rock. Enquanto uma geração descobria seus novos ídolos, outra reencontrava uma banda que fez parte da sua própria juventude. E, quando a música continua funcionando para públicos tão diferentes, talvez “atemporal” seja mesmo uma palavra difícil de evitar.












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